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Instituto MID - Para a participação social das pessoas com deficiência Texto Recomendado do Mês (Julho)
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Fortalecimento da Organização do Movimento Social das Pessoas com Deficiência no Brasil e Divulgação de Suas Conquistas
Projeto OEI/BRA-08-001/SEDH/PR
 
Editorial

Ainda que não se possa desconsiderar o significativo papel desempenhado por diversas ações de cuidado com a questão da deficiência desde finais do século XIX no país, as mobilizações pela conquista dos direitos das pessoas com deficiência ampliam-se e difundem-se em finais dos anos 1970. Nessa época podemos vislumbrar uma alteração significativa na perspectiva de atuação dos movimentos sociais ligados à questão, que se expressa de forma clara na afirmação “Nada sobre nós sem nós”, indicativa da autodeterminação e da independência como aspectos essenciais na luta das pessoas com deficiência por seus direitos.

Os caminhos dessa trajetória ainda estão sendo trilhados, com suas idas, desencontros e conquistas, mas o que dela já se percorreu muito pode nos dizer dos possíveis rumos a serem tomados hoje, e daqui em diante, pelo movimento das pessoas com deficiência no país. Para isso, faz-se mister a realização de um esforço no sentido de propor uma leitura que contribua para a sistematização de uma história do movimento das pessoas com deficiência no Brasil.

E é este o objetivo da pesquisa Memória do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil, parte integrante do projeto de Cooperação Internacional Fortalecimento da Organização do Movimento Social das Pessoas com Deficiência no Brasil e Divulgação de Suas Conquistas. Esta pesquisa prevê a investigação em fontes documentais diversas, mas fundamenta-se sobretudo no recolhimento de depoimentos de pessoas que participaram/participam do movimento de luta pelos direitos das pessoas com deficiência no país.

O acervo recolhido durante a pesquisa será utilizado para fundamentar a elaboração de um banco de dados, dois vídeos e um livro sobre a história do movimento político das pessoas com deficiência no Brasil, que esperamos contribuam para a ampliação do conhecimento e divulgação deste movimento no país. Para auxiliar nesta divulgação começamos a editar, a partir deste mês de junho, o boletim que ora apresentamos, no qual serão dadas notícias mensais sobre o andamento e resultados parciais das pesquisas. Sejam bem vindos!

Metodologia de pesquisa

A metodologia de base para a realização da pesquisa Memória do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil é a história oral, um “procedimento metodológico que busca, pela construção de fontes e documentos, registrar, por meio de narrativas induzidas e estimuladas, testemunhos, versões e interpretações sobre a História em suas múltiplas dimensões: factuais, temporais, espaciais, conflituosas, consensuais.” (DELGADO, Lucília de Almeida Neves. História Oral: memória, tempo, identidades. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. p.15).

Nesse sentido, será realizada uma série de entrevistas para registro da memória destes atores históricos, articulando as vivências individuais ao movimento social das pessoas com deficiência na luta por direitos. Estas entrevistas são registradas em vídeo e sua transcrição, depois de autorizada pelos depoentes, ficará disponível para consulta, servindo como fonte para futuras pesquisas sobre o movimento. As informações coletadas junto aos entrevistados são confrontadas com os documentos históricos, permitindo uma compreensão significativa da cronologia dos fatos e marcos históricos do movimento.

Acervo e Banco de Dados

Um dos produtos do projeto é a composição de um banco de dados com todos os documentos coletados durante a realização da pesquisa. Até o momento possuímos 1375 documentos em formatos físicos e digitais, que foram adquiridos com a colaboração dos militantes entrevistados pelos pesquisadores e com o trabalho de pesquisa realizado pela equipe de historiadores do projeto.

Para organizar e disponibilizar toda a documentação, escolhemos a plataforma DSpace para construção da biblioteca digital da CORDE. O Dspace é um software livre utilizado por instituições reconhecidas como MEC, Biblioteca do Senado, UFMG, entre outras. Conforme objetivos do projeto, ela foi personalizada para atender as necessidades da CORDE. Um fator decisivo para a escolha técnica do sistema é que ele permite o uso dos metadados Dublin Core, que são um padrão e uma referência mundial na descrição de documentos.

A grande maioria do acervo coletado até o momento é de natureza digital, sendo composto por jornais, artigos acadêmicos, teses e dissertações que lidam com temas relacionado às pessoas com deficiência. Há ainda outro grupo de documentos considerados históricos que possui importância significativa para o movimento e consequentemente para a pesquisa. É o caso, por exemplo, do documento denominado “Plano Nacional de Ação Conjunta para Integração da Pessoa Deficiente”, do dia 1º de julho de 1986 que, entre outras providências, aconselha a criação de um órgão de coordenação interministerial que seria futuramente criado e chamado de CORDE. Este documento foi doado pela militante Lizair Guarino em entrevista realizada nos dias 28 e 29 de abril de 2009 na cidade do Rio de Janeiro. Destacamos também a coleção completa do Babilema, criado por Rui Bianchi e gentilmente cedido por Elza Ambrósio. Este informativo fez parte da história do CEDIPOD (Centro de Documentação e Informação do Portador de Deficiência) na década de 1990, e auxiliava as entidades e as pessoas com deficiência na busca por informações sobre seus direitos.

À medida que a pesquisa avança novos documentos são coletados junto aos entrevistados e pelos pesquisadores em suas atividades. O estudo e sistematização do acervo auxiliam no processo de organização dos documentos, conforme modelo padronizado pelo Dspace. O banco de dados, ao final do projeto, será uma importante fonte de informação para as pessoas com deficiência, pois que registra, através dos documentos, o histórico de luta e conquistas das pessoas que atuaram – e ainda atuam -em prol de uma sociedade mais inclusiva.

Livro e Vídeos

O livro e os vídeos a serem produzidos a partir da pesquisa terão os entrevistados como seus narradores privilegiados: protagonistas desta história, suas vozes nos conduzirão por alguns de seus caminhos, nos indicando as conquistas, conflitos, recuos e acordos que vêm marcando a trajetória do movimento das pessoas com deficiência na luta por seus direitos no Brasil.

Serão produzidos, portanto, dois vídeos documentários – um curta e um média metragem – e um livro que reunirá os depoimentos recolhidos durante as pesquisas. As gravações das imagens que irão para os documentários iniciaram-se no mês de março de 2009. A equipe de filmagem realiza as entrevistas em locais que ajudam a contar a história dos militantes, aproximando o telespectador da realidade do entrevistado. Este é o caso, por exemplo, da entrevista com Romeu Sassaki, que foi realizada no SESC Vila Mariana, onde está localizado o Centro de Vida Independente Araci Nallin, que teve uma importante atuação no movimento de independência das pessoas com deficiência. Já o livro contará com uma introdução elaborada pela equipe de pesquisa, um guia de leitura dos depoimentos e um índice remissivo das lideranças e instituições citadas pelos entrevistados.

Novas informações sobre a pesquisa estarão disponíveis no dia 20/07/2009. Não perca.
Fonte: http://institutovargas.com/boletim01.php  para outras informações sobre o projeto acessar: http://institutovargas.com/oei.php

 

Notícias

Símbolos para deficiências na trajetória inclusiva

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Artigo publicado na revista Reação, São Paulo, n. 66, jan./fev. 2009.

“Com sua diversidade, os signos, símbolos, logotipos e sinais representam a expressão de nossa época, que tudo permeia e marca, e são capazes de indicar o futuro, uma vez que mantêm e conservam o passado.” – Adrian Frutiger.

Como outros segmentos da população em geral, o das pessoas com deficiência tem se utilizado também de signos, emblemas, símbolos, logotipos, logomarcas e sinais a fim de comunicar - de maneira visual, sucinta e inequívoca - certas idéias para o público. A prática da transmissão de idéias através de imagens é tão antiga quanto a história da humanidade. Esta prática necessariamente
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