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Instituto MID - Para a participação social das pessoas com deficiência Parte 2 - Page 2
As pessoas com deficiência nos discursos e espaços eclesiais
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1) A teologia cristã deve interpretar a imago Dei de um ponto de vista cristológico e soteriológico (a salvação do mundo por Cristo), que indique para além das costumeiras perspectivas criacionistas e antropológicas; 2) a teologia cristã deve assumir uma perspectiva inclusiva e não elitista do corpo de Cristo como paradigma para entender a imago Dei; 3) sem a total incorporação de pessoas que possam contribuir com sua experiência de deficiência, a igreja carecerá da glória de Deus e não pode pretender estar na imagem de Deus. Sem o insight daquelas pessoas que têm a experiência com deficiência, alguns dos mais profundos e singulares elementos da teologia cristã facilmente se deturpariam ou perderiam.
Moltmann , por sua vez, nos adverte que o encontro e o reconhecimento do outro é uma das formas de superação do medo e do rechaço em relação às pessoas com deficiência e, por conseguinte, o caminho para a construção de uma comunidade inclusiva. Na perspectiva deste teólogo, o ser humano constitui-se como pessoa mediante o encontro com o outro e somente o encontro das pessoas, em sua condição humana, poderá quebrar este círculo de medo, rechaço, discriminação e exclusão.
As experiências de inclusão nos diversos espaços sociais realmente têm demonstrado que o medo do encontro somente desaparece no ato de encontrar. Quando passamos a conviver com as pessoas com deficiência, nós descobrimos quem realmente é esta pessoa – nosso olhar converte-se da deficiência para a nossa comum condição humana - no sentido da percepção de que todos nós temos deficiências e habilidades.
A convivência, portanto, possibilita o rompimento de preconceitos e estigmas, o que contribuirá para a minimização das objetivações sociais impostas às pessoas com deficiência. Na relação pessoa a pessoa, as sujeiticidades se constroem – nelas não há espaço para as objetivações ou hierarquizações das diferenças ou deficiências. Ou seja, é o reconhecimento da complexa condição humana de todos nós – seja como fracos ou fortes, ou as duas coisas ao mesmo tempo – que possibilitará a construção de uma comunidade para todos (nos termos do paradigma da inclusão).
A reconciliação com a condição humana é, ao nosso ver, uma das vias de recuperação da função religiosa no mundo contemporâneo. O cristianismo tem, nos termos do campo religioso, como um papel profético elevar o padrão humano da sociedade contemporânea. Especialmente em relação às pessoas com deficiência, a teologia pode contribuir no sentido da re-significação da dignidade humana como um atributo de todas as pessoas, onde a dignidade original de todos converte-se em direito humano.
A teologia, portanto, pode contribuir no sentido de uma antropologia que construa, e não diminua, o ser humano em função de suas deficiências. Enfim, uma antropologia que reconheça a vulnerabilidade e interdependência humana. Trata-se, evidentemente, de uma conversão, a conversão do olhar classificatório (seletivo e excludente) em olhar relacional – que permite visualizar a condição humana em toda a sua diversidade e complexidade.

Considerações finais


Uma teologia inclusiva exige novas categorias epistemológicas. Categorias como complexidade, diversidade e vulnerabilidade contribuem para o desenvolvimento da sensibilidade solidária e do respeito à dignidade humana. Neste sentido, é possível ampliar o olhar e a sensibilidade humana diante da realidade e abrir as portas teológicas para a consideração de uma diversidade de saberes ainda não considerados.
Os saberes, diferentemente sábios , ainda estão em construção. Portanto, nos permitem deixar muitas perguntas abertas para o percurso que ainda se abre (processo histórico), a cada novo dia, às comunidades cristãs e aos discursos teológicos. Quais são os saberes que as pessoas com deficiência têm sobre Deus? Como elas se relacionam com Deus a partir de suas experiências? Como reconhecer a perfeição da criação em meio às limitações e potencialidades de uma corporeidade diferente? Poderíamos, ainda, fazer um exercício de sensibilização e imaginar:
• Como é ser e viver, como cego, numa comunidade cristã onde se fala o tempo todo em visão e em luz...
• Como é ser e viver, como surdo, numa comunidade cristã onde apenas se fala ou se canta, como se o mundo fosse feito apenas de sons...
• Como é ser e viver, com déficit cognitivo, numa comunidade cristã que fala de Deus somente com confissões racionais...
• Como é ser e viver, com deficiência física, numa comunidade cristã que conhece apenas um jeito de caminhar e de chegar...
Nos vemos, portanto, diante dos desafios postos por novos caminhos...Caminhos inclusivos!
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Notícias

Símbolos para deficiências na trajetória inclusiva

por Romeu Kazumi Sassaki

Artigo publicado na revista Reação, São Paulo, n. 66, jan./fev. 2009.

“Com sua diversidade, os signos, símbolos, logotipos e sinais representam a expressão de nossa época, que tudo permeia e marca, e são capazes de indicar o futuro, uma vez que mantêm e conservam o passado.†– Adrian Frutiger.

Como outros segmentos da população em geral, o das pessoas com deficiência tem se utilizado também de signos, emblemas, símbolos, logotipos, logomarcas e sinais a fim de comunicar - de maneira visual, sucinta e inequívoca - certas idéias para o público. A prática da transmissão de idéias através de imagens é tão antiga quanto a história da humanidade. Esta prática necessariamente
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O ensino da filosofia e da sociologia: Contribuição para a inclusão escolar

por Guga Dorea

O Ministério da Educação e Cultura homologou a decisão do Conselho Nacional de Educação (CNE) que obriga todas as escolas do ensino médio a implantarem em sua grade curricular, até agosto de 2007, as disciplinas de filosofia e de sociologia.

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