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Instituto MID - Para a participação social das pessoas com deficiência As pessoas com deficiência nos discursos e espaços eclesiais
As pessoas com deficiência nos discursos e espaços eclesiais PDF Imprimir E-mail
Elizabete Cristina Costa Renders

Introdução

A história da humanidade está cheia de boas intenções (solidariedade), todavia, ela também traz subjacentes antigas visões (clínica-terapêutica e assistencialista-caritativa) e antigas soluções (carregar a cadeira de rodas) que não dão visibilidade às pessoas com deficiência (sua dignidade e seus direitos como cidadãs).
Em 1990, a ONU definiu que “a equiparação de oportunidades para pessoas deficientes deverá ser a prioridade na formulação de ações de longo prazo, visando uma sociedade para todos†. Nestes termos, incapacidade passa a ser vista um problema de toda a sociedade e, por conseguinte, a equiparação de oportunidades é uma exigência ética universal. Trata-se do “modelo social de deficiência†. Portanto, o desafio está na construção de espaços acessíveis (incluindo igrejas) a todas as pessoas e no conseqüente rompimento de barreiras (físicas, comunicacionais ou atitudinais) socialmente impostas às pessoas com deficiência.
Em busca de novos olhares e novos caminhos...
“Gradativamente, estamos começando a mostrar que, por trás de um deficiente há sempre uma pessoa que quer estar entre nós, que quer ser um membro ativo na nossa sociedade e que quer desfrutar da vida, como todos nós. E isto não é uma questão de caridade. É, acima de tudo, um direito a ser respeitadoâ€.

A sociedade ocidental foca a realidade a partir da perspectiva classificatória e seletiva (pensamento cartesiano), por conseguinte, estamos imersos em falácias dicotômicas que legitimam a incapacidade de uns em função da capacidade de outros. Todavia, Assmann nos adverte para o “único real plenamente afirmável: o de que somos corporeidades imersas em relações sociais de construção de significações/sentidos para o viável (e até para o inviável!)†. Nestes termos, podemos perguntar pela “corporeidade das pessoas com deficiência†e pelas “relações sociais de construção de significações/sentidos para o viável (e até para o inviável)†nas quais elas estão imersas. Quais são as falácias postas pelas “significações sociais†construídas em relação às pessoas com deficiência? De quais verdades precisamos nos despir para considerar e respeitar a corporeidade das mesmas?
As objetivações sociais, impostas pela sociedade às pessoas com deficiência, legitimam falácias, tais como: a pessoa com deficiência é fraca e infeliz, a pessoa com deficiência não é inteligente e eficaz, a pessoa com deficiência não tem capacidade para viver em sociedade e exercer sua cidadania, a pessoa com deficiência é uma pessoa eternamente dependente e infantilizada, a pessoa com deficiência não pode exercer sua sexualidade, etc.

Além de contribuir de forma subjacente para este processo (força simbólica de uma antropologia teológica dicotômica e hierárquica), os discursos teológicos e as práticas eclesiais estão marcados por metáforas que afirmam a realidade das pessoas com deficiência em formas desqualificadas de ser e viver: o cego como sinônimo de perdido, surdo como sinônimo de desobediente, deficiência física como sinônimo de vida desregrada e falta de fé, etc. E ainda, insistem na deficiência como punição ou na impossibilidade das pessoas com deficiência serem protagonistas de suas vidas. Como podemos romper e desvelar estas falácias? Provavelmente, daremos o primeiro passo neste sentido quando nos despirmos dos preconceitos (alimentados pelas falácias cartesianas) e enxergarmos a diversidade humana - aprofundando os aspectos comuns entre corporeidades diferentes, sem ocultar as diferenças que compõem a sociedade humana.

No momento em que pudermos respeitar e considerar a condição humana das pessoas com deficiência, em sua complexidade , poderemos incluir em nossa percepção do “ser†humano, novas categorias, tais como: ser cego, ser surdo, ser surdo-cego, ser paraplégico, ser tetraplégico, ser autista, etc. E mais que isto, poderemos dar visibilidade à vulnerabilidade humana com todos os seus desafios postos, onde fraqueza, dor, medo, erro, instabilidade, incapacidade, etc poderão também ser categorias que nos ensinam a ser, viver e aprender.

Neste sentido, o Conselho Mundial de Igrejas construiu um documento que faz algumas perguntas bastante pertinentes:
A deficiência é realmente algo que, de fato, mostra a fraqueza na vida humana? É esta uma interpretação limitadora e opressiva? Não seria melhor se adotar uma interpretação diferente e mais radical? A deficiência é realmente algo limitador? Enfatizar a deficiência como sendo uma perda é adequado, apesar de ser um estágio de uma jornada assumida pelas próprias pessoas com deficiência? A linguagem da diversidade não seria mais adequada? Não seria a deficiência algo que Deus mesmo criou a fim de construir um mundo mais diversificado, plural e rico? Não seria a deficiência um presente de Deus ao invés de uma condição limitadora que algumas pessoas precisam suportar?
Se não reconhecermos a corporeidade humana em suas mais diferentes formas, não seremos capazes de construir espaços sociais acessíveis a todas as pessoas, continuaremos a construir igrejas com enormes escadarias, sem considerar a importância dos encontros entre todas as pessoas para o reconhecimento de nossa comum condição humana.

Infelizmente, na maioria dos espaços eclesiais, repete-se, justifica-se e, desta forma, se fortalece a discriminação pela limitação. Nos termos do CMI, as “pessoas com deficiência não conseguem relacionar-se com outras pessoas das Igrejas no mesmo nível, pois são, de alguma forma, encaradas como inferiores e não como plenamente humanas†. A solução encontrada para superar a discriminação está na introdução da categoria diversidade na fala teológica, pois, em algumas igrejas, as “ações relacionadas a pessoas com deficiência transformaram-se de atos de ‘caridade’ em reconhecimento dos seus direitos como seres humanosâ€. Neste sentido, aponta-se a cristologia como a porta de entrada para construções teológicas inclusivas - Jesus Cristo respeita e acolhe a todos, sem fazer acepção de pessoas. Cristo acolhe toda a condição humana, inclusive sua vulnerabilidade. Se Cristo é a verdadeira imagem de Deus, deve-se fazer perguntas radicais sobre a natureza do Deus que está sendo projetado. No centro da teologia cristã existe uma crítica ao sucesso, ao poder e à perfeição, e uma dignificação da fraqueza, imperfeição e vulnerabilidade.

Assim, as tradicionais interpretações da deficiência pela Igreja - tais como: punição de pecados cometidos pela pessoa ou pela família em gerações anteriores; um sinal de falta de fé que impede que Deus opere a cura; uma manifestação demoníaca, sendo necessário o exorcismo para superar a deficiência, etc. - devem ser superadas. Tais práticas não dignificam a pessoa humana, mas oprimem e desqualificam a pessoa com deficiência para a convivência social em iguais condições de direito. A declaração, então, defende que:
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Notícias

Símbolos para deficiências na trajetória inclusiva

por Romeu Kazumi Sassaki

Artigo publicado na revista Reação, São Paulo, n. 66, jan./fev. 2009.

“Com sua diversidade, os signos, símbolos, logotipos e sinais representam a expressão de nossa época, que tudo permeia e marca, e são capazes de indicar o futuro, uma vez que mantêm e conservam o passado.†– Adrian Frutiger.

Como outros segmentos da população em geral, o das pessoas com deficiência tem se utilizado também de signos, emblemas, símbolos, logotipos, logomarcas e sinais a fim de comunicar - de maneira visual, sucinta e inequívoca - certas idéias para o público. A prática da transmissão de idéias através de imagens é tão antiga quanto a história da humanidade. Esta prática necessariamente
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