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Instituto MID - Para a participação social das pessoas com deficiência O bem comum e o sentido de pertença ao mundo
O bem comum e o sentido de pertença ao mundo PDF Imprimir E-mail

Elizabete Cristina Costa Renders

Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom. (Gen1. 31)

Se considerarmos a perspectiva existencial, o bem comum nos remete imediatamente ao solo de nossa existência: o sentido da pertença ao mundo. Ou seja, a existência humana somente é possível no chão de todos nós – nosso primeiro bem comum. Na perspectiva da fé judaico-cristã, a criação está expressa no desenho da Terra imersa no cosmos: ar, céus, terra, trevas, luz, mares, solos, plantas, sementes, frutos, animais, seres humanos – enfim, uma multidão de seres vivos vivendo juntos.

O desenho desse chão comum apresenta todas as condições para gerar e preservar a vida, por isso era bom – isto aponta para a compreensão ética da vida. A narrativa de Genesis, portanto, nos desafia a pensar o bem comum em todas as esferas da existência humana, a começar pela afirmação de que todos nós queiramos ou não, pertencemos ao mundo e temos necessidades. Afirmar o sentido da pertença ao mundo e as necessidades inerentes à existência humana é importante porque traz, em si, a impertinência dos sistemas excludentes histórica e socialmente construídos. O silenciamento do direito à vida pode levar à violação da dignidade humana quando alimenta e legitima os sacrifícios humanos – de uns em prol de alguns outros. Nas palavras de Hugo Assmann, “ao desconsiderar o ser humano como um ser-com-necessidades, eliminou-se também qualquer designação de um limite (...) do que poderíamos chamar de mínimo vital, cuja obtenção, devendo estar assegurada para todos, pudesse dar um conteúdo concreto mínimo ao conceito de dignidade humana inviolávelâ€(ASSMANN, 1991:18) .

O conceito de bem comum emerge da afirmação do direito de todas as pessoas à vida e afirma uma doutrina cristã, a “destinação originária de todos os bens ao benefício de todos†. Ou seja, o bem comum exige a ruptura com sistemas sociais excludentes e a afirmação de ações, social e cooperativamente construídas, a fim de que “nossos conjuntos sociais preservem a solidariedade mínima em situações extremas, nas quais estão em jogo os direitos básicos da corporeidade humana em situações-limite†. O primeiro direito básico da corporeidade humana é o chão. A vida (e vida, não somente, humana) apenas é possível se localizada num meio ambiente. Terra, ar, água – são condições primordiais para a vida. Portanto, se nosso primeiro e inegociável bem comum é a vida, não podemos perder de vista a perspectiva da interdependência dos seres vivos. Voltando ao ato da criação, o ser humano, por si só, não tem condições de sustentar a vida - a duras penas, parece que estamos redescobrindo esta realidade nos tempos contemporâneos.

Voltando-nos para a complexa condição humana (ser biológico e cultural, com necessidades e desejos), bem como para a complexidade da sociedade contemporânea, entendemos, tal qual Morin, que “viver exige, de cada um, lucidez e compreensão ao mesmo tempo, e, mais amplamente, a mobilização de todas as aptidões humanas†. Assim, poderíamos sinalizar alguns bens necessários à garantia de uma vida digna para todas as pessoas, tais como: reconhecimento mútuo, moradia, alimentação, educação, esperança, trabalho, descanso, saúde, fé, produções culturais, informação, acessibilidade (física, comunicacional e atitudinal), amor, etc. Nesse emaranhado de bens, o sentido da pertença é o viés que traduzirá nossas intenções em ações, na operacionalização do bem comum em todas as esferas da vida.

 

Notícias

Símbolos para deficiências na trajetória inclusiva

por Romeu Kazumi Sassaki

Artigo publicado na revista Reação, São Paulo, n. 66, jan./fev. 2009.

“Com sua diversidade, os signos, símbolos, logotipos e sinais representam a expressão de nossa época, que tudo permeia e marca, e são capazes de indicar o futuro, uma vez que mantêm e conservam o passado.†– Adrian Frutiger.

Como outros segmentos da população em geral, o das pessoas com deficiência tem se utilizado também de signos, emblemas, símbolos, logotipos, logomarcas e sinais a fim de comunicar - de maneira visual, sucinta e inequívoca - certas idéias para o público. A prática da transmissão de idéias através de imagens é tão antiga quanto a história da humanidade. Esta prática necessariamente
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RESILIÊNCIA

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Há mais de quarenta anos, a ciência tem-se interrogado sobre o fato de que certas pessoas têm a capacidade de superar as piores situações, enquanto outras ficam presas nas malhas da infelicidade e da angústia que se abateram sobre elas como numa rede engodada. Por que certos indivíduos são capazes de se levantar após um grande trauma e outros permanecem no chamado fundo do poço, incapazes de, mesmo sabendo não ter mais forças para cavar, subir tomando como apoio as paredes desse poço e continuar seu caminho?

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